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Relatório técnico de análise de artefato

Tycoon 2FA

Plataforma de phishing como serviço com interceptação de MFA em tempo real e abuso de OAuth

Uma plataforma de phishing alugada por assinatura que não tenta adivinhar o código de autenticação: ela o repassa em tempo real ao serviço legítimo e fica com o cookie de sessão. Este relatório reconstitui a cadeia de entrega, as camadas de evasão, o relé do segundo fator e a pivotada para abuso de fluxo OAuth ocorrida após a desarticulação de março de 2026, e define o que caçar em uma rede corporativa e acadêmica cuja identidade é federada.

Objeto analisado Tycoon 2FA
Severidade avaliada Alta
Classificação TLP:CLEAR
Base de evidência OSINT verificado
Data de emissão 2 de setembro de 2026
Versão 2.0

00Sumário

  1. 01Sumário executivo
  2. 02Identificação do objeto analisado
  3. 03Adversary-in-the-middle: por que o segundo fator não protege
  4. 04O negócio por trás do kit
  5. 05Cadeia de entrega e camadas de evasão
  6. 06A página de captura e o relé do segundo fator
  7. 07A pivotada pós-desarticulação: fluxo de código de dispositivo
  8. 08Exposição da rede acadêmica federada
  9. 09Detecção
  10. 10Mitigação e resposta
  11. 11Indicadores de comprometimento
  12. 12Limitações da análise
  13. 13Referências
Achado principal

O Tycoon 2FA não quebra a autenticação multifator, ele a terceiriza para a própria vítima. Um proxy reverso entrega ao usuário uma cópia fiel da tela de login e repassa cada campo ao serviço legítimo, devolvendo a resposta real, inclusive o desafio de segundo fator. Concluído o desafio pelo usuário, o operador fica com o cookie de sessão já autenticado [1].

Consequência para a resposta: trocar a senha não encerra o acesso do atacante, porque a sessão roubada vale por si. A contenção começa por revogação de sessão e de token.

Consequência para a detecção: nada é gravado na estação. Não há binário, chave de registro nem hash a bloquear. A evidência vive nos logs de autenticação do provedor de identidade (seção 09).

01Sumário executivo

O Tycoon 2FA é uma plataforma de phishing como serviço, ou PhaaS (Phishing-as-a-Service), dedicada ao roubo de credenciais e de sessões do Microsoft 365 e do Google. Foi descoberta pela equipe de pesquisa da Sekoia em outubro de 2023, já em operação desde pelo menos agosto do mesmo ano [1]. A Microsoft rastreia o grupo que a desenvolve e opera sob a designação Storm-1747 [2].

A técnica central é adversary-in-the-middle (AiTM). Diferentemente do phishing clássico, que armazena a senha digitada e nada mais pode fazer diante de um segundo fator, o kit intermedia a sessão inteira: relaia as credenciais ao servidor autêntico, apresenta ao usuário o desafio real de segundo fator e, quando este é concluído, captura o cookie de sessão emitido [1]. O que o operador leva não é uma senha, é uma sessão viva.

1.200 domínios catalogados em 6 meses de campanha [1]
>500 mil organizações alcançadas por mês pela operação [2]
24 a 72 h tempo de vida médio de cada subdomínio ativo [2]
US$ 120 custo de assinatura para dez dias de uso do kit [1]
>US$ 250 mil recebidos em bitcoin na carteira do operador [1]
0 arquivos ou executáveis gravados no endpoint [1]

A escala é industrial. A Microsoft mediu dezenas de milhões de mensagens por mês alcançando mais de 500 mil organizações, com educação nomeada entre os setores alvo, ao lado de saúde, finanças, terceiro setor e governo [2]. A infraestrutura da Digital Crimes Unit da Microsoft, em conjunto com a Europol e parceiros do setor, desarticulou a plataforma em março de 2026 [2].

A desarticulação não encerrou o problema, e é por isso que este relatório existe. Em abril de 2026, a equipe de resposta da eSentire documentou a operação de volta, com uma mudança de técnica relevante: em vez de proxy reverso, abuso do Device Authorization Grant do OAuth, no qual a vítima autentica em infraestrutura genuína da Microsoft e entrega o token ao atacante sem jamais visitar uma página falsa [3]. A seção 07 trata dessa variante em separado, porque ela derrota controles desenhados para a variante de proxy.

As recomendações se organizam em duas frentes. A detecção (seção 09) parte de logs de resolvedor e de proxy, os mais baratos, e converge para os logs de autenticação do provedor de identidade, que são a fonte de maior valor neste caso. A resposta (seção 10) inverte a ordem habitual de contenção, porque aqui a revogação de sessão precede a troca de senha.

02Identificação do objeto analisado

Este relatório não teve detonação

Não houve submissão a sandbox nem análise de amostra em laboratório próprio. Todo o conteúdo técnico deste documento provém das referências [1] a [8], que são publicações de equipes de pesquisa de ameaças. Não trate nenhuma afirmação daqui como prova pericial de um incidente local: elas descrevem o kit tal como observado por terceiros, em campanhas que não são a sua. O que o documento oferece é hipótese de caça e desenho de controle, não laudo.

Não use este relatório para atribuir um incidente ao Tycoon 2FA sem confirmação própria. A técnica AiTM é comum a várias plataformas concorrentes, e a seção 08 descreve uma campanha contra universidades que usou ferramenta diferente [8].

Tabela 1. Ficha técnica da plataforma
CampoValor
Tipo de objetoPlataforma de phishing como serviço (PhaaS)
NomeTycoon 2FA, também grafado Tycoon2FA
OperadorStorm-1747, designação da Microsoft [2]
ParentescoPainel e entrega de PHP comuns ao kit Dadsec, sob o mesmo guarda-chuva [5]
Ativo desdeAgosto de 2023, descoberto em outubro de 2023 pela Sekoia [1]
EstadoInfraestrutura desarticulada em março de 2026; operação ativa em abril de 2026 [2] [3]
Serviços alvoMicrosoft 365 e Google Workspace [1] [2]
Técnica centralAdversary-in-the-middle por proxy reverso, com relé de segundo fator [1]
ComercializaçãoAssinatura por Telegram, a partir de US$ 120 por dez dias [1]
Hashes de amostran/d
Por que não há hash nesta tabela

O objeto é uma infraestrutura de serviço, não um arquivo. O conteúdo servido ao navegador da vítima é gerado dinamicamente, com nomes de recurso pseudoaleatórios e ofuscação que muda a cada versão [1] [4]. Não peça um hash à equipe de operação nem espere casamento em antivírus ou EDR, porque não existe artefato estável a comparar. Os indicadores acionáveis são padrões de URL, padrões de comportamento de autenticação e a telemetria de identidade, listados na seção 11.

03Adversary-in-the-middle: por que o segundo fator não protege

O phishing tradicional é um formulário morto: ele copia a aparência da tela de login, guarda o que foi digitado e devolve uma mensagem de erro. Diante de autenticação multifator, ele falha, porque o código de uso único expira antes que o operador possa aproveitá-lo. O AiTM (Adversary-in-the-Middle) resolve esse problema do atacante colocando um proxy reverso vivo entre a vítima e o serviço legítimo [1]. A sequência é a seguinte:

A troca de senha não resolve

O cookie de sessão é um comprovante de autenticação já concluída. Ele não é validado contra a senha a cada requisição. Por isso, redefinir a senha da conta comprometida deixa o atacante dentro da sessão, e a equipe de resposta acredita ter contido um incidente que segue em curso [1].

A ação que efetivamente corta o acesso é a revogação das sessões e dos tokens de atualização da conta, antes ou junto da troca de senha. A ordem importa: revogar depois de trocar a senha ainda funciona, trocar a senha sem revogar não funciona.

Isso reordena a hierarquia de controles. Segundo fator por notificação por envio, por senha de uso único em aplicativo e por SMS são todos relaiáveis, porque o usuário os conclui de boa-fé contra um desafio autêntico [1]. O que não é relaiável é a autenticação vinculada à origem, ou seja, chaves de segurança e senhas-chave em FIDO2 e WebAuthn, nas quais o navegador se recusa a assinar para um domínio que não é o registrado. A seção 10.4 desenvolve essa recomendação.

04O negócio por trás do kit

4.1Assinatura, preço e volume

O Tycoon 2FA não é operado por quem o escreve. É alugado. A Sekoia identificou a divulgação por canal de Telegram, sob os apelidos Tycoon Group, SaaadFridi e Mr_XaaD, com preço a partir de US$ 120 por dez dias de operação, mais caro conforme o domínio de topo escolhido [1]. O assinante recebe páginas prontas e modelos de anexo de e-mail, sem precisar entender nada do que compra.

A análise da carteira de bitcoin atribuída ao operador registrou cerca de 700 transações recebidas, somando mais de US$ 250 mil desde agosto de 2023, o que sugere várias centenas de assinaturas vendidas no período [1]. Entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024, a mesma equipe catalogou mais de 1.200 nomes de domínio associados à plataforma [1].

Esse modelo tem uma consequência defensiva direta: não existe um adversário com um alvo. Existem dezenas de assinantes simultâneos, cada um com sua lista de destinatários e seu pretexto. A sua instituição não precisa ser interessante para ser atingida, basta constar de uma lista comprada.

4.2Parentesco com o Dadsec

A pesquisa da Trustwave SpiderLabs, hoje publicada sob a marca LevelBlue, documenta sobreposição de infraestrutura entre o Tycoon 2FA e o kit Dadsec, indicando linhagem comum de desenvolvimento sob a mesma operação [5]. As evidências reunidas foram:

4.3A desarticulação de março de 2026

Em 4 de março de 2026, a Microsoft publicou o balanço da operação conduzida pela sua Digital Crimes Unit em conjunto com a Europol e parceiros do setor, que derrubou a infraestrutura e a operação do Tycoon 2FA [2]. O mesmo documento registra a escala interrompida: dezenas de milhões de mensagens de phishing por mês, alcançando mais de 500 mil organizações, com educação entre os setores nomeadamente atingidos.

Não trate a desarticulação como encerramento

Menos de dois meses depois da derrubada, a equipe de resposta da eSentire observou a operação ativa de novo, com técnica trocada [3]. Não retire controles nem rebaixe a prioridade de alertas de phishing de identidade com base na notícia da desarticulação. Em ecossistema de PhaaS, derrubar a plataforma remove o fornecedor, não a demanda: os assinantes migram para kits concorrentes em dias, e a técnica AiTM permanece disponível em ferramenta de código aberto, como mostra a campanha da seção 08.

05Cadeia de entrega e camadas de evasão

5.1Como o link chega

A entrega é deliberadamente variada, e nenhuma das formas depende de anexo executável. A Microsoft catalogou as seguintes iscas em campanhas do kit [2]:

O passo seguinte quase nunca aponta para o domínio do kit. A cadeia atravessa serviços legítimos que nenhuma instituição bloqueia por reputação, entre eles Azure Blob Storage, Firebase, Wix, TikTok, recursos do Google e Cloudflare Workers [2]. Na campanha de abril de 2026, o primeiro salto foi uma URL de rastreamento de cliques do serviço Trustifi, seguida de um subdomínio em workers.dev [3].

Bloqueio por domínio tem retorno decrescente aqui

Os subdomínios do kit vivem de 24 a 72 horas e giram por topos baratos como .space, .email, .solutions, .live e .today [2]. Não construa a defesa em torno de uma lista de domínios a bloquear: quando o indicador chega ao seu resolvedor, ele já morreu. Este é o oposto do que vale para um domínio de comando e controle estável, e a confusão entre os dois casos consome tempo de equipe sem reduzir risco.

Os domínios da seção 11 servem para caça retroativa em log arquivado, para datar uma exposição. O controle prospectivo eficaz é o da seção 10.4, que age sobre a autenticação e não sobre o nome.

5.2As camadas que impedem a análise

Antes de exibir qualquer tela de login, o kit submete o visitante a uma triagem. A finalidade não é enganar o usuário, e sim impedir que analistas e rastreadores automáticos vejam a página. A Cybereason documentou a sequência em estágios [6]:

  1. página HTML inicial com carga em base64 comprimida por LZ-string;
  2. verificação de domínio, com remoção do código malicioso do DOM enquanto ele segue em execução na memória;
  3. extração do endereço de e-mail da vítima a partir de parâmetro da URL, e envio ao servidor do operador;
  4. verificação de depurador e de robô, que redireciona para site benigno em caso de suspeita;
  5. entrega da tela falsa de Microsoft 365;
  6. carga final, que administra o envio das credenciais e a interceptação do segundo fator.

O desafio de CAPTCHA que abre a cadeia começou como Cloudflare Turnstile, com a frase de espera “this page is running browser checks to ensure your security” [1]. Em 2025, o kit migrou para CAPTCHA próprio, desenhado em canvas HTML5, com caracteres, ruído e distorção aleatórios, justamente para deixar de exibir o elemento de terceiro que permitia às equipes de defesa identificar a página por impressão digital [4].

A ofuscação da mesma versão de 2025 merece registro pela originalidade, porque ela derrota busca por padrão em texto [4]:

O que a evasão implica para a triagem

Uma URL suspeita que devolve página inofensiva ao analista não está limpa, está fazendo o seu trabalho. O redirecionamento para um site legítimo é comportamento documentado do kit diante de ferramenta de análise [4] [6]. Repita a verificação a partir de saída residencial e com navegador real antes de fechar o chamado como falso positivo.

06A página de captura e o relé do segundo fator

Vencida a triagem, o visitante recebe uma réplica da tela de autenticação da Microsoft, já preenchida com o seu endereço de e-mail, extraído da URL em texto claro ou em base64 [1] [6]. O preenchimento prévio é detalhe de engenharia social relevante: ele elimina a etapa em que o usuário costuma reparar no endereço do site, porque a página parece uma continuação de sessão e não um login novo.

A partir daí, a página abre uma conexão WebSocket com o servidor do operador e passa a operar como intermediária [1]. A Sekoia documenta que o estágio de relé suporta as três formas usuais de segundo fator:

Concluída a autenticação, a vítima é redirecionada para um destino que reforça a impressão de normalidade, tipicamente login.microsoftonline[.]com/common/SAS/ProcessAuth ou um site de fachada [1]. Do ponto de vista do usuário, nada falhou, e é por isso que este ataque raramente gera denúncia espontânea. A instituição descobre o comprometimento pelo que a conta faz depois, não pelo relato de quem a perdeu.

As credenciais e os tokens capturados são cifrados com CryptoJS e enviados ao servidor do operador por requisição POST assíncrona [6]. A chave e o vetor de inicialização observados em campo são a cadeia literal 1234567890123456, reaproveitada tanto na versão de proxy reverso quanto na campanha de abril de 2026 [3] [6], o que a torna uma impressão digital útil para quem consiga inspecionar o conteúdo servido.

O que acontece nos minutos seguintes

A Elastic Security Labs caracterizou o comportamento pós-captura, e ele é a melhor base de detecção disponível [7]. A sequência de login, validação de segundo fator, autorização de token e registro de dispositivo se completa em cerca de um segundo, tempo incompatível com operação humana.

Em seguida, o kit costuma emitir de 20 a 30 chamadas ao Microsoft Graph em 30 a 60 segundos, contra pontos de reconhecimento do locatário, e tenta registrar um dispositivo próprio, o que converte um roubo de sessão em persistência de longo prazo.

07A pivotada pós-desarticulação: fluxo de código de dispositivo

A campanha documentada pela eSentire entre 29 e 30 de abril de 2026 mantém a marca do Tycoon 2FA na entrega e na ofuscação, mas troca o coração da técnica [3]. Não há mais proxy reverso, nem página falsa de login. Há abuso do Device Authorization Grant, o fluxo do OAuth desenhado para autenticar aparelhos sem teclado, como televisores e impressoras.

O funcionamento inverte a lógica do phishing convencional:

  1. o servidor do atacante pede um código de dispositivo ao endereço legítimo da Microsoft;
  2. a vítima recebe uma isca de recado de voz que exibe esse código e a instrui a visitar microsoft.com/devicelogin;
  3. a vítima autentica em infraestrutura genuína da Microsoft, com senha e segundo fator, e aprova o código;
  4. a Microsoft emite tokens de acesso e de atualização para o cliente do atacante, que estava aguardando;
  5. o acesso resultante cobre toda a superfície do Microsoft 365 e aparece na telemetria como uso de aplicativo legítimo.
A frase que resume o problema

Como registra a análise, o ataque não contorna a autenticação multifator, ele muda o que a autenticação está autorizando [3]. A vítima não erra o endereço do site, porque o endereço está correto. Ela não digita a senha em lugar indevido, porque digita no lugar certo. Consente com um aplicativo, e é o consentimento que é roubado.

Por isso, treinamento de usuário para conferir a barra de endereços não protege contra esta variante. O controle que funciona é técnico e está em 10.4: bloquear o fluxo de código de dispositivo por política de acesso condicional para quem não precisa dele [11].

A eSentire descreve a entrega em quatro camadas antes da isca final, e documenta a infraestrutura do operador com precisão incomum [3]:

O aplicativo personificado é o Microsoft Authentication Broker, de identificador 29d9ed98-a469-4536-ade2-f981bc1d605e, e as operações de token partiram do AS45102 com agentes de usuário node e undici, ou seja, bibliotecas HTTP de servidor, jamais um navegador [3]. Cada amostra trazia carimbo de expiração embutido, com validade de aproximadamente um mês.

Não bloqueie o identificador do aplicativo

O 29d9ed98-a469-4536-ade2-f981bc1d605e é o identificador oficial de um aplicativo legítimo da Microsoft, usado por dispositivos gerenciados em operação normal. Ele não é indicador de comprometimento por si só, e bloqueá-lo quebra ingresso e conformidade de dispositivo em toda a instituição. O que caracteriza o abuso é a combinação desse identificador com agente de usuário de biblioteca de servidor e com autenticação por código de dispositivo em conta que nunca usou esse fluxo [3] [7].

08Exposição da rede acadêmica federada

8.1Por que a universidade é alvo preferencial

A Microsoft nomeia educação entre os setores atingidos pelo Tycoon 2FA [2], e há razões estruturais para isso:

8.2Uma campanha contra portais de autenticação acadêmica

A demonstração mais direta desse risco não veio do Tycoon 2FA, e sim de uma campanha paralela documentada pela Infoblox em dezembro de 2025 [8]. Entre 12 de abril e pelo menos 16 de novembro de 2025, um mesmo ator atacou ao menos 18 universidades e entidades de ensino dos Estados Unidos, usando cerca de 67 domínios.

A ferramenta era o Evilginx, provavelmente na versão 3.0, um proxy reverso de AiTM de código aberto, com o mesmo resultado do Tycoon 2FA: roubo de credencial e de cookie de sessão, com o segundo fator relaiado [8]. Os elementos de infraestrutura foram estes:

O detalhe que interessa à rede acadêmica federada

Um dos subdomínios documentados foi shibbolethmainrit[.]fiuy[.]weddingsarahetemmanuel[.]com, construído para imitar shibboleth.main.ad.rit.edu, o provedor de identidade real de uma instituição alvo [8].

Shibboleth é exatamente a tecnologia sobre a qual a CAFe (Comunidade Acadêmica Federada) é construída [10]. O padrão de ataque é, portanto, transferível sem adaptação: basta trocar o nome do provedor de identidade imitado. Uma credencial CAFe roubada por AiTM entrega ao atacante todos os serviços federados que a instituição consome, e não apenas a caixa postal.

Limite desta seção

A ponte entre a campanha da referência [8] e o contexto da CAFe é inferência deste relatório, não afirmação da fonte. A Infoblox documentou instituições dos Estados Unidos e não trata de federação brasileira. Não existe, até a data de emissão, pesquisa pública documentando campanha de AiTM dirigida nominalmente à CAFe ou ao eduroam. Não cite este documento como evidência de que a CAFe foi atacada: o que ele sustenta é que a técnica se aplica à arquitetura, e que a ausência de relato público não deve ser lida como ausência de exposição.

09Detecção

A ordem abaixo vai do controle mais barato e abrangente ao mais caro e específico. A diferença em relação a um caso de malware residente é que aqui a fonte de maior valor não é a primeira da lista: os logs de autenticação, em 9.3 e 9.4, é que carregam a evidência decisiva, e o restante serve para achar a exposição e datar o incidente.

9.1Resolvedor e proxy

O valor aqui é retroativo. Procure nos logs arquivados os padrões estáveis do kit, sobretudo os nomes de arquivo PHP de entrega, que sobreviveram a várias trocas de domínio [5], e os nomes de recurso das versões antigas [1].

SPL, SplunkPadrões de caminho de entrega do kit [1] [5]
index=proxy (uri_path="*/res444.php" OR uri_path="*/cllascio.php"
             OR uri_path="*/.000.php" OR uri_path="*/myscr*.js"
             OR uri_path="*pages-godaddy.css" OR uri_path="*pages-okta.css")
| stats count, min(_time) AS primeiro, max(_time) AS ultimo,
        values(url) AS urls BY src_ip, user
| sort - count
SPL, SplunkResolução de topos baratos por estação [2]
index=dns query_regex="\.(space|email|solutions|live|today|calendar)$"
| stats dc(query) AS nomes_distintos, count BY src_ip
| where nomes_distintos < 5
| sort - count
Assinatura de conteúdo tem prazo de validade

Os padrões acima e as regras de 9.2 casam com versões documentadas até 2025. A partir da versão de fevereiro de 2024, o kit passou a gerar nomes de recurso pseudoaleatórios e a carregá-los somente após o CAPTCHA ser resolvido, justamente para escapar de rastreadores de URL [1]. Não conclua ausência de exposição a partir de busca vazia por esses padrões. Use-os para confirmar e datar, nunca para descartar.

9.2Regras de IDS e IPS

As duas regras abaixo cobrem marcadores de conteúdo publicados pela Sekoia [1] e seguem a sintaxe do Suricata. Elas são complementares ao conjunto Emerging Threats, que deve estar atualizado e não silenciado.

SuricataDerivada de [1], não validada contra tráfego real
# Frase de espera do estagio de CAPTCHA das versoes com Turnstile
alert http $EXTERNAL_NET any -> $HOME_NET any (
  msg:"CIBERLAB PHISHING AiTM Tycoon 2FA pagina de verificacao";
  flow:established,to_client;
  file.data;
  content:"this page is running browser checks to ensure your security"; nocase;
  classtype:credential-theft; priority:1;
  sid:9000101; rev:1;
)

# Nome de recurso das versoes anteriores a fevereiro de 2024
alert http $HOME_NET any -> $EXTERNAL_NET any (
  msg:"CIBERLAB PHISHING AiTM Tycoon 2FA requisicao a myscrNNNNNN.js";
  flow:established,to_server;
  http.uri; content:"/myscr"; nocase;
  pcre:"/\/myscr\d{6}\.js$/Ui";
  classtype:credential-theft; priority:1;
  sid:9000102; rev:1;
)

9.3Logs de autenticação: a fonte de maior valor

É aqui que o ataque fica visível. A consulta a seguir implementa o marcador mais forte descrito pela Elastic e pela eSentire, que é a autenticação bem-sucedida com agente de usuário de biblioteca HTTP de servidor, algo que um usuário humano nunca produz [3] [7].

KQL, Microsoft Entra IDAutenticação com biblioteca HTTP de servidor [3] [7]
SigninLogs
| where ResultType == 0
| where UserAgent has_any ("node", "undici", "axios", "node-fetch")
| project TimeGenerated, UserPrincipalName, IPAddress,
          AutonomousSystemNumber, AppId, AppDisplayName,
          AuthenticationProtocol, IncomingTokenType, UserAgent
| order by TimeGenerated asc
KQL, Microsoft Entra IDAutenticação por código de dispositivo [3]
SigninLogs
| where AuthenticationProtocol == "deviceCode" and ResultType == 0
| summarize Sucessos=count(), Enderecos=make_set(IPAddress),
            Agentes=make_set(UserAgent), Primeira=min(TimeGenerated)
    by UserPrincipalName, AppDisplayName
| order by Primeira desc
KQL, Microsoft Entra IDMesma conta em múltiplos sistemas autônomos [7]
SigninLogs
| where ResultType == 0
| summarize Sistemas=dcount(AutonomousSystemNumber),
            Enderecos=make_set(IPAddress), Agentes=make_set(UserAgent)
    by UserPrincipalName, bin(TimeGenerated, 30m)
| where Sistemas >= 2
| order by Sistemas desc

O padrão que a Elastic aponta como decisivo é a separação em dois níveis: primeiro o relé do kit, saindo de hospedagem em nuvem com agente de usuário de servidor, e de dez a vinte minutos depois o operador humano, saindo de faixa residencial com um navegador único e fixo, sob a mesma conta [7]. Uma conta que exibe as duas assinaturas na mesma janela está comprometida.

9.4Sinais de sessão roubada e de persistência

Vencida a autenticação, os indicadores passam a ser de ritmo e de sequência, e não de origem [7]:

Duas armadilhas de telemetria no Google Workspace

A API de relatórios do Google não traz agente de usuário e chega com atraso de cerca de três horas, e o campo que marca atividade suspeita frequentemente permanece falso diante da infraestrutura do kit [7]. Não construa a detecção do Workspace em cima desse campo, nem espere resposta em tempo real dessa fonte. Use a correlação de sistema autônomo, o deslocamento impossível e a rajada de registro de dispositivo, que independem dos dois defeitos.

9.5Gateway de e-mail

A entrega descrita em 5.1 exige atenção a três classes de anexo que muitos filtros tratam como inofensivas [2]:

10Mitigação e resposta

A ordem de contenção é diferente da habitual

Em incidente de AiTM, revogue as sessões e os tokens de atualização antes de qualquer outra coisa. Trocar a senha primeiro é o erro mais comum e o mais caro, porque a sessão roubada sobrevive à troca e o atacante permanece dentro enquanto a equipe registra o chamado como resolvido (seção 03).

10.1Contenção imediata

  1. Revogue todas as sessões e tokens de atualização da conta afetada, no provedor de identidade. Esta é a única ação que corta o acesso em curso.
  2. Redefina a credencial em seguida, e exija novo registro de segundo fator.
  3. Enumere e remova os dispositivos registrados pela conta na janela do incidente. O registro de dispositivo é a persistência do kit (seção 06), e ele sobrevive à revogação de sessão se ninguém olhar.
  4. Revise consentimentos de aplicativo concedidos pela conta, sobretudo em caso de variante por código de dispositivo, na qual o acesso é um token concedido e não uma sessão roubada (seção 07).
  5. Preserve os logs de autenticação da janela relevante antes que a retenção padrão os descarte, incluindo endereço de origem, sistema autônomo, agente de usuário e protocolo de autenticação.

10.2Erradicação e avaliação de alcance

  1. Verifique regras de caixa postal criadas ou alteradas pela conta, que são o mecanismo clássico de ocultação de resposta em fraude de correio.
  2. Levante o que a conta enviou depois do comprometimento. Uma conta institucional comprometida costuma ser usada para o phishing seguinte, e os destinatários internos precisam ser avisados e verificados (seção 8.1).
  3. Levante o que a conta acessou: arquivos em nuvem, sistemas acadêmicos e serviços federados. A credencial é chave mestra, e o alcance do incidente é o alcance da federação.
  4. Busque nos logs de autenticação outras contas com a mesma assinatura de origem e de agente de usuário, na mesma janela. Campanha de PhaaS atinge listas, não indivíduos.
  5. Reinstalar a estação não é requisito neste caso, porque o ataque não deposita código no equipamento. Só o faça se a investigação encontrar implante, o que seria um incidente distinto.

10.3Comunicação com a comunidade

Este ataque não gera denúncia espontânea, porque a experiência do usuário é a de um login bem-sucedido (seção 06). O aviso à comunidade deve, portanto, abandonar o conselho genérico de desconfiar de e-mails e dizer o que é verificável: que a instituição nunca pede autenticação a partir de link encurtado, que um código exibido em página e digitado em outro lugar nunca faz parte de um acesso legítimo a serviço institucional, e que aprovar uma notificação de autenticação não solicitada deve ser reportado mesmo que o acesso pareça ter funcionado.

10.4Prevenção estrutural

Tabela 2. Controles recomendados para prevenção estrutural
ControleAplicação
Segundo fator resistente a phishingChaves de segurança e senhas-chave em FIDO2 ou WebAuthn. É o único controle que derrota o relé descrito na seção 03, porque a assinatura é vinculada ao domínio de origem e o navegador se recusa a produzi-la para o site do atacante. Comece por contas administrativas e por quem administra o provedor de identidade.
Bloqueio do fluxo de código de dispositivoPolítica de acesso condicional que barra o Device Authorization Grant para a população geral, liberando-o apenas para cenários declarados de desenvolvimento e de ingresso de equipamento [11]. Neutraliza a variante da seção 07.
Vinculação de tokenProteção de token no acesso condicional, que amarra o token ao dispositivo que o obteve e torna inútil a reprodução do cookie roubado a partir de outra máquina [12].
Exigência de dispositivo em conformidadeAcesso condicional que exige equipamento gerenciado e em conformidade para os serviços sensíveis. O relé do kit sai de hospedagem em nuvem e não satisfaz a condição.
Alerta de registro de dispositivoNotificação para todo registro de dispositivo não gerenciado, tratado como evento de segurança e não como rotina de suporte. Fecha a persistência descrita na seção 06.
Triagem de anexo ativoSVG, HTML e documentos com código QR inspecionados ou convertidos no gateway, e não liberados por serem imagem ou documento (seção 9.5).
Retenção de log de identidadeLogs de autenticação por 90 dias no mínimo. Sem histórico não há como medir há quanto tempo uma conta está comprometida, nem quais serviços federados foram alcançados.
Filtragem de DNS na bordaResponse Policy Zones no resolvedor institucional, alimentadas por feeds de phishing. Vale como camada de atrito, não como defesa principal, pelo motivo exposto em 5.1.

10.5Mapeamento MITRE ATT&CK

As técnicas abaixo derivam integralmente da literatura das seções 04 a 08, e não de observação própria. Os nomes seguem o catálogo oficial [9].

Tabela 3. Técnicas de acesso inicial, entrega e evasão [9]
TécnicaNomeRelação com o caso
T1583.001Acquire Infrastructure: DomainsRegistro em massa de domínios de vida curta em topos baratos (seção 5.1)
T1608.005Stage Capabilities: Link TargetPáginas hospedadas em serviços legítimos como Azure Blob, Firebase e Cloudflare Workers
T1566.002Phishing: Spearphishing LinkIsca por e-mail com link, código QR ou anexo SVG que redireciona (seção 5.1)
T1684.001Social Engineering: ImpersonationRéplica da tela de autenticação e imitação do provedor de identidade da instituição (seções 06 e 8.2)
T1204.001User Execution: Malicious LinkO ataque depende do clique e da autenticação voluntária da vítima
T1622Debugger EvasionDetecção de depurador, de PhantomJS e de Burp Suite, com desvio para site benigno (seção 5.2)
T1027.013Obfuscated Files or Information: Encrypted/Encoded FileBase64 com LZ-string, XOR, AES por CryptoJS e binário em Unicode invisível (seção 5.2)
Tabela 4. Técnicas de captura de credencial, sessão e uso do acesso [9]
TécnicaNomeRelação com o caso
T1557Adversary-in-the-MiddleProxy reverso intermediando a sessão entre vítima e serviço legítimo (seção 03)
T1621Multi-Factor Authentication Request GenerationDesafio de segundo fator disparado pelo relé e aprovado de boa-fé pela vítima (seção 06)
T1539Steal Web Session CookieCaptura do cookie de sessão emitido após o segundo fator, objetivo central do kit
T1528Steal Application Access TokenTokens de acesso e de atualização obtidos por abuso do fluxo de código de dispositivo (seção 07)
T1550.004Use Alternate Authentication Material: Web Session CookieReprodução da sessão roubada pelo operador, sem necessidade da senha
T1078.004Valid Accounts: Cloud AccountsAcesso subsequente indistinguível de uso legítimo na telemetria de nuvem
T1098.005Account Manipulation: Device RegistrationRegistro de dispositivo não gerenciado logo após a autenticação, como persistência (seção 06)

11Indicadores de comprometimento

Leia a coluna de ação antes de copiar a tabela

Nenhum domínio desta seção deve entrar em bloqueio prospectivo com expectativa de proteção. Todos são históricos, de campanhas encerradas, e a infraestrutura do kit gira em 24 a 72 horas (seção 5.1). Eles valem para caça retroativa em log arquivado, com um objetivo específico: descobrir se alguma estação da rede já esteve exposta, e em que data.

Os indicadores com valor prospectivo real são os de comportamento, na Tabela 6. Eles independem de domínio, de hash e de versão do kit.

Tabela 5. Indicadores de rede e de infraestrutura [1] [3] [5]
TipoIndicadorSeveridadeContexto e ação
Domíniotycoongroup[.]wsAltaInfraestrutura central do kit [1]. Caça retroativa
Domíniocodecrafters[.]su
codecrafterspro[.]com
AltaRecursos centralizados do kit [1]. Caça retroativa
Domínio0q5e0.nemen9[.]com
25rw2.canweal[.]com
35fu2.ouchar[.]ru
AltaAmostras de página de captura [1]. Caça retroativa
Domíniofijothi[.]com
shivacrio[.]com
AltaCampanha de abril de 2026 [3]. Caça retroativa
IPv447.90.180.205
47.252.11.99
MédiaAS45102, operações de token [3]. Caça retroativa
ASNAS19871ContextoHospedagem comum a Tycoon 2FA e Dadsec [5]. Correlacionar
Caminho/res444.php
/cllascio.php
/.000.php
MédiaEntrega em PHP, versões sucessivas [5]. Caça retroativa
Caminho/myscr[0-9]{6}.js
pages-godaddy.css
pages-okta.css
MédiaRecursos anteriores a fevereiro de 2024 [1]. Caça retroativa
Conteúdothis page is running browser checks to ensure your securityMédiaEstágio de CAPTCHA com Turnstile [1]. Assinatura de IDS
Carteira19NReVFKJsYYCCFLq1uNKYrUqQE2bB4JwxContextoRecebimento das assinaturas [1]. Contexto investigativo
Tabela 6. Indicadores de identidade e de comportamento [3] [6] [7]
TipoIndicadorSeveridadeContexto e ação
Agentenode
undici
axios/1.15.2
node-fetch/1.0
AltaEm autenticação bem-sucedida [3] [7]. Alertar imediatamente
Aplicativo29d9ed98-a469-4536-ade2-f981bc1d605eContextoMicrosoft Authentication Broker, legítimo [3]. Correlacionar
Chave1234567890123456ContextoChave e vetor de CryptoJS no conteúdo servido [3] [6]. Contexto
Serviçoget.geojs.io
api.ipbase.com
ipinfo.io
ContextoEnriquecimento de origem para filtrar analistas [3] [6]. Correlacionar
ComportamentoAutenticação por deviceCode em conta sem histórico desse fluxo [3]AltaAbuso de Device Authorization Grant. Alertar imediatamente
ComportamentoLogin, validação de MFA, token e registro de dispositivo em cerca de 1s [7]AltaRitmo descolado de operação humana. Alertar imediatamente
ComportamentoMesma conta autenticando de dois ASNs distintos em poucos minutos [7]AltaTransição do relé para operador humano. Alertar imediatamente
ComportamentoRegistro de dispositivo não gerenciado imediatamente após autenticação [7]AltaPersistência em conta comprometida. Alertar imediatamente

12Limitações da análise

13Referências

  1. [1] Fonte primária. Sekoia. Tycoon 2FA: an in-depth analysis of the latest version of the AiTM phishing kit, outubro de 2023. Análise da equipe que descobriu a plataforma. Documenta os estágios do fluxo de phishing, o relé de segundo fator por WebSocket, o modelo de assinatura por Telegram e o preço, os mais de 1.200 domínios catalogados, a carteira de bitcoin do operador e os padrões de recurso myscr[0-9]{6}.js, pages-godaddy.css e pages-okta.css. https://www.sekoia.com/blog/tycoon-2fa-an-in-depth-analysis-of-the-latest-version-of-the-aitm-phishing-kit
  2. [2] Microsoft Security Blog. Inside Tycoon2FA: how a leading AiTM phishing kit operated at scale, 4 de março de 2026. Balanço publicado junto da desarticulação conduzida pela Digital Crimes Unit com a Europol. Fonte da escala medida, da designação do operador como Storm-1747, da lista de setores alvo com educação nomeada, das iscas de entrega e da vida útil de 24 a 72 horas dos subdomínios. Sustenta as seções 4.3 e 5.1. https://www.microsoft.com/en-us/security/blog/2026/03/04/inside-tycoon2fa-how-a-leading-aitm-phishing-kit-operated-at-scale/
  3. [3] eSentire Threat Response Unit. Tycoon 2FA operators adopt OAuth device code phishing, abril de 2026. Análise da campanha de 29 e 30 de abril de 2026, posterior à desarticulação. Documenta o abuso do Device Authorization Grant passo a passo, a cadeia de entrega em quatro camadas, os domínios fijothi[.]com e shivacrio[.]com, os endereços do operador no AS45102, os agentes de usuário node e undici e a orientação de bloqueio por acesso condicional. Sustenta a seção 07. https://www.esentire.com/blog/tycoon-2fa-operators-adopt-oauth-device-code-phishing
  4. [4] LevelBlue SpiderLabs. Tycoon2FA new evasion technique for 2025, 2025. Descreve a ofuscação por caracteres Unicode invisíveis, com o Halfwidth Hangul Filler e o Hangul Filler representando os bits, o disparo da decodificação por objeto Proxy do JavaScript, a migração do Cloudflare Turnstile para CAPTCHA próprio em canvas HTML5 e as verificações antidepuração. Sustenta a subseção 5.2. https://www.levelblue.com/blogs/spiderlabs-blog/tycoon2fa-new-evasion-technique-for-2025
  5. [5] LevelBlue SpiderLabs. PhaaS the secrets: the hidden ties between Tycoon2FA and Dadsec's operations, 2025. Documenta a sobreposição de infraestrutura entre os dois kits, a concentração no AS19871, o uso comum do painel Cyber Panel, a evolução dos arquivos de entrega de res444.php para cllascio.php e .000.php, e o padrão de nomenclatura de domínio. Sustenta a subseção 4.2. https://www.levelblue.com/blogs/spiderlabs-blog/phaas-the-secrets-the-hidden-ties-between-tycoon2fa-and-dadsecs-operations
  6. [6] Cybereason. Tycoon 2FA phishing kit analysis, 2024. Detalha os estágios de JavaScript do kit, a remoção do código do DOM durante a execução, a extração do endereço de e-mail a partir da URL, as verificações de robô e de depurador, e a cifragem das credenciais por CryptoJS antes do envio ao operador. Sustenta a subseção 5.2 e a seção 06. https://www.cybereason.com/blog/tycoon-phishing-kit-analysis
  7. [7] Elastic Security Labs. Tycoon 2FA AiTM detection for Entra ID and Google, 2024. Engenharia de detecção sobre logs de autenticação. Fonte dos campos a caçar no Entra ID, da separação em dois níveis entre relé e operador, do ritmo de cerca de um segundo na sequência de comprometimento, da rajada de chamadas ao Microsoft Graph, do registro de dispositivo como persistência e das duas limitações da telemetria do Google Workspace. Sustenta as subseções 9.3 e 9.4. https://www.elastic.co/security-labs/threat-command/tycoon-2fa-aitm-detection-engineering
  8. [8] Infoblox Threat Intelligence. DNS uncovers infrastructure used in SSO attacks, dezembro de 2025. Campanha de AiTM por Evilginx contra ao menos 18 universidades dos Estados Unidos, entre 12 de abril e 16 de novembro de 2025, com cerca de 67 domínios. Documenta a imitação de portais de autenticação institucionais, incluindo um subdomínio construído para se passar por um provedor de identidade Shibboleth. Sustenta a seção 8.2. https://www.infoblox.com/blog/threat-intelligence/dns-uncovers-infrastructure-used-in-sso-attacks/
  9. [9] MITRE ATT&CK. Enterprise Matrix. Fonte dos nomes oficiais das quatorze técnicas mapeadas na subseção 10.5: T1583.001, T1608.005, T1566.002, T1684.001, T1204.001, T1622, T1027.013, T1557, T1621, T1539, T1528, T1550.004, T1078.004 e T1098.005. https://attack.mitre.org/
  10. [10] RNP. Central de Ajuda da CAFe, Comunidade Acadêmica Federada. Documentação do serviço de identidade federada das instituições brasileiras de ensino e pesquisa, construído sobre Shibboleth. Base do paralelo arquitetural traçado na seção 8.2. https://ajuda.rnp.br/cafe
  11. [11] Microsoft Learn. Conditional Access: block authentication flows. Documentação da política de acesso condicional que bloqueia o fluxo de código de dispositivo, controle recomendado na subseção 10.4 contra a variante da seção 07. https://learn.microsoft.com/en-us/entra/identity/conditional-access/policy-block-authentication-flows
  12. [12] Microsoft Learn. Conditional Access: token protection. Documentação da vinculação de token ao dispositivo que o obteve, controle recomendado na subseção 10.4 para inutilizar a reprodução de sessão roubada. https://learn.microsoft.com/en-us/entra/identity/conditional-access/concept-token-protection

Tycoon 2FA, relatório técnico de análise de artefato. Versão 2.0, emitida em 2 de setembro de 2026.
Lucas Rayan Guerra, CiberLab, uma iniciativa do Ciência Embarcada.
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